Chico Bento Moço 1 – Resenha

Saudações tripulantes que falam Caipirês!

Acabei de comprar Chico Bento Moço.  Parte curiosidade parte vontade de ler algo durante uma longa espera.  Não me arrependi. O caipirinha sempre foi um dos meus personagens preferidos. Creio que todos que tiveram infâncias semelhantes gostam de suas aventuras, e ele que já tinha um título próprio na versão infantil, cresceu para ser lido por outro público. Talvez não o mesmo que lê Turma da Mônica Jovem.  Mas isso é ruim?  Não. Não mesmo.

Chico Bento Moço 1

Como é natural pra quem mora no interior, quando você quer evoluir precisa sair de sua cidade para poder crescer e aprender mais, afinal, o ensino nas regiões é limitado e eles precisam ir para as cidades grandes caso queiram aprender mais. E é sobre essa transição que o primeiro número fala. Como diria o Zé Lelé, ela foca no voo dos passarinhos que cresceram e vão temporariamente abandonar seus ninhos para voltar em seguida como importantes membros da sociedade.

Chico será agrônomo, sua eterna namorada Rosinha, Veterinária, Zé da Roça vai virar professor como a emblemática “Dona Marocas” que se tornou diretora do colégio e apoiadora dos garotos e o Zé Lelé, que segundo ele, tem asas mas não quer voar longe, será fazendeiro porque acredita que alguém tem de cuidar da terra. Calma, a gente também vai esperar o Hiro.

Como todo bom oriental, ele vai fazer Matemática. Curiosamente, um lugar comum entre nisseis de cidades do interior. Os mesmos que acabam dekassegando para retomar contato com a nação de origem de seus pais. Além destes personagens, são citados: Primo Zeca, que vai pra mesma faculdade que Chico e convida o primo para dividir uma casa comunal com ele e outro amigo e Genésio, o menino mais rico da cidade, que na edição é lembrado pelo ex-caipirinha de que apesar de todas as suas empáfias, ele também é de Vila Abobrinha e deveria valorizar suas origens. No fundo, essa cena é o ponto central da história.

Os personagens vão evoluir, mas sem esquecer sua origem. E isso é grifado por dois personagens que aparecem antes da partida do personagem para Nova Esperança, onde viverá suas novas aventuras e terá de se adaptar às agruras da vida na cidade grande.

Se Turma da Mônica Jovem lembra Malhação, Chico Bento Moço lembra um pouco a Turma do Júlio de Cocoricó e não tem vergonha de brincar com isso. Em muitos momentos eles humanizam os animais tanto para o humor quanto para amenizar as emoções do momento. Vemos isso quando Torressmo e Giselda se despedem de Chico com lencinho branco ao lado da mãe ou quando a Mimosa só dão leite quando ele fala caipirês e até um cachorro que se despede com a pata.

Após esse tour pela alameda da memória e a reintrodução das novas versões de personagens velhos conhecidos é dito que eles se reencontrarão em um ano, ou seja, antes de termos novas histórias passadas em Vila Abobrinha, veremos as transições de Chico e seu primo Zeca em Nova Esperança, Rosinha em Campos Verdes e Hiro e Zé da Roça em Presidente Fonseca.

Como já disse antes, um bom primeiro número não diz muito sobre o resto da série, mas este não só foi primoroso como vale a pena dar uma olhada no próximo número e ver o andamento da história. Como fã old School, o fator mangá não atrapalha nem ajuda, mas sei que vai atrair novos leitores. Resta saber se vão conseguir manter o nível da primeira ou se vão ter de adaptar a história para agradar os leitores. Aliás, pela capa do primeiro dá pra ver dois personagens que ainda não foram introduzidos, mas que podem criar alguns laços com outros tipos de leitores e gerar tipos de histórias diferentes.

Vale o investimento, e estou curioso pra ver o que vem por aí.

Ah, sim! A faixa bônus desta primeira edição é o Jogo “O Sumiço da Rosinha”, jogo de realidade aumentada onde cada página da revista abre uma nova fase do aplicativo.  Para jogar basta baixar o app na Apple Store ou no Google play , instalar no seu celular ou tablete, e  usar a câmera para liberar as fases. A experiencia com a realidade aumentada é interessante, pois acima da revista surge a caverna em que a Rosinha se perdeu e que Chico precisará entrar pra encontrá-la. Ele foi lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro junto com a edição zero da revista.

No site da editora você tem mais informações. Divirta-se.

By |2020-05-26T15:43:27+00:00agosto 29th, 2020|Uncategorized|0 Comments

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